sexta-feira, 9 de agosto de 2024

retorno 2

 

Esse que sou em transformação IX, Rafael Geremias, 2022-23. Lápis de cor, hidrocolor, colagem sobre papel, 29,0 x 20,3 cm.

Outras maneiras de ser eu
Dizereu
Serei outro

Originalmente publicado em
@fazumpacto em 16 de janeiro de 2023

apagamento 3.1

 

Esse que sou em transformação VIII, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, 14,5 x 20,3 cm.

Deleuze, Gilles & Guattari, Félix. (2010). O anti-Édipo: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34.

"Isso funciona em toda parte: às vezes sem parar, outras vezes descontinuamente. Isso respira, isso aquece, isso come. Isso caga, isso fode. Mas que erro ter dito o isso. Há tão somente máquinas em toda parte, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas com seus acoplamentos, suas conexões. Uma máquina-órgão é conectada a uma máquina-fonte"

Isso funciona em toda parte: respirar fundo e deixar as coisas fluírem (mente-ir) respirar fundo e deixar a vida fluir (descontinua) respirar fundo (descontínua) e viver o hoje respirar fundo e aceitar cada pequeno (descontinuamente) momento como único e perfeito por ser transitório (às vezes sem parar)

bricoleur.

Originalmente publicado em
@fazumpacto em 11 de janeiro de 2023.

apagamento 3

 

Esse que sou em transformação VII, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, 14,5 x 20,3 cm.

Há uma potência transbordante: de me aceitar como sou e o outro como ele é. 
aceitar a transitoriedade
Somos corpos em transformação onde o gozar é muito mais importante do que qualquer imagem. 
A flexibilidade de existir e de poder realizar em mim (duríssimo tesão por mim) o momento livremente 
Uma escrita hedonista, !

Originalmente publicado em 
@fazumpacto em 11 de janeiro de 2023.



apagamento 3

 

Esse que sou em transformação VI, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, 14,5 x 20,3 cm.

Queria mesmo encontrar com alguém na rua e ser convidado para uma... 

Originalmente publicado em 
@fazumpacto em 27 de dezembro de 2022.



retorno 2

 

Esse que sou em transformação V, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, Colagem sobre papel, 14,5 x 20,3 cm.


reintegra-corpos
reintegração das minhas partes.

À noite dançamos.

Como eu amo dançar, me exibir e flertar no g0zo transitório do movimento do meu corpo

Originalmente publicado em
@fazumpacto em 22 de dezembro de 2022.



apagamento 2

 

Esse que sou em transformação IV, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite,  tinta PVA, 29,0 x 20,3 cm.


As duas alternativas eram dicotomias desnecessárias

Originalmente publicado em
@fazumpacto em 22 de dezembro de 2022.



retorno 1

 

Esse que sou em transformação III, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, tinta PVA, 14,5 x 20,3 cm.

Um procedimento para fazer o mundo; para fazer um novo mundo, uma nova obra.
A obra é o resto: o g0zo.
Para fazer um novo mundo é necessário desejar, desejar e não g0zar?

Deixar correr.
Originalmente publicado em
@fazumpacto em 21 de dezembro de 2022.

apagamento 1.2

 

Esse que sou em transformação II, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, Colagem sobre papel, 14,5 x 20,3 cm.


Credo!
A emoção quer ser expressa
(apenas)
como uma disforme que é!


Originalmente publicado em 
@fazumpacto em 21de dezembro de 2022

apagamento 01

Esse que sou em transformação I, Rafael Geremias, 2022-23. Grafite, Hidrocolor, tinta PVA, Colagem sobre papel, 29,0 x 20,3 cm.

Aceitar a vulnerabilidade. Estou vulnerável. Estou vulnerável! 

Desponta sobressalêcias que disfuncionalmente me perguntam: e se você decidir, então, viver como deseja, sem preocupações?

Originalmente publicado em @fazumpacto em 14 de dezembro de 2022

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Tempo de fluorescer

de mim,

tiveram tudo

e nada quiseram.

 

no meu tempo de fluorescer

lançaram pás de cal,

empalideceram cores

 

a carta de páscoa?

riram de mim!

puseram a mesa, louvaram o cristo,

se empanturraram de chocolate

e só. 


Insensíveis!

 

 

quinta-feira, 8 de abril de 2021

 possibilidades poéticas do confinamento

antes de sair de casa,
não esqueça que ontem
foram 4249.
 
Brasil, 08 de abril de 2021.

*4.249 mortes por Covid-19
 

segunda-feira, 23 de março de 2020

Pornô XVIII

pé no chão, coluna quase ereta e ajustada enquanto a fantasia corre solta numa hipocondria cerebral. aprendi essa com o Baudrillard. é quase um descontentamento em pensar numa única coisa com tanta coisa para ser pensada, e pensada rápida e com muito interesse mas desinteressado. Pensamento reconhecido em vício! Em compensação, aceito o floreio da  ideia de que tenho uma vontade incontida de pulverizar a mente em vários assuntos, assuntozinhos desconexos fodidos que evitam que eu siga em mim, centrado como um pequeno buda fazendo o meu rolê. clico! rolo páginas web (várias abas), um dedilhar cibernético entre lazer, prazer e trabalho, muito além do mouse. estou conectado em interesses múltiplos sociais. Sexo. penso em me masturbar sem sequer de fato sentir qualquer interesse em me masturbar naquele momento. até o tesão é pulverizado fortuitamente por um perfil qualquer. enredos longos de foda, de você abrindo a porta como um estranho tirando sua roupa de profissional retórico de encanador a médico, ou vagabundo, (mas fálico e duro), agora só fálico e duro e penetrante numa foto, ou videos de um minuto ou cobertura completa no onlyfans. o que faz você seguir adiante na serendipidade da deep web: mais uma foto, mais um perfil, mais um minuto, de todos os tipos, de todas as formas, de todos os jeitos. quem sabe um compilado de trinta minutos de cumeating e a seguir a puríssima ejaculação precoce de tags. o algorítimo imagético venceu.

23/03/2020 BRASIL

Há quem se contente com o igual 
com o mais do mesmo
com o mesmo do mesmo
só consigo mesmo em si

(eu)

e só em si
todas as energias concentradas
os vórtices e as fomes concêntricas
num umbigão mal rompido
da placenta 

que só sabe ser material!

- contando nos dedos as cabeças de gado,
o doutor sem doutorado,
cerca-nos a terra e nos apropria no horizonte
a perder de vista




quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

15/01/2020 EU NO BRASIL

tudo em mim é resistência!

15/01/2020 BRASIL

RECONHECER O INIMIGO
O VERDADEIRO ININIMO
PARA NÃO ATACAR O AMIGO
PARA NÃO PERDER O AMIGO
MAS SEM ESQUECER QUE ELE PODE SER
UM POSSÍVEL INIMIGO

.
.
.
NO FUTURO
.

E DEIXECERTO

(que além da pós-modernidade e do hoje,
há, sim, um possível futuro distópico, onde:

-VOCÊ AINDA NÃO É MEU INIMIGO
MAS TEM UMA CARA DE QUEM ME
DARIA DE COMER ÀS BESTAS PARA PROTEGER
SEU
GADO!





domingo, 12 de maio de 2019

Melancia

pressinto a novidade.
ela me vem como uma intuição,
como o soar de um instrumento de sopro.

uma anunciação, um delírio, um êxtase religioso
que toma o corpo
e brada como os Caboclos num terreiro de umbanda,
sempre abrindo caminhos,
rompendo matas,
retirando a erva daninha
que pela fresta do cimento

se enraizou
intentando o céu.

- aí você me perguntou como isso era possível?

(porque há sempre um espaço a ser preenchido com perguntas)


um pé de melancia, citrullus vulgaris,
irromper não sei de onde,
semeada de não sei que pássaro-vento nesse quase fim de verão?

(porque há sempre um espaço a ser preenchido com respostas)

e um silêncio imperceptível
em que a vida acontece
 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Pornô XVIII

À mesa de jantar eu só queria entender o porquê de se parabenizar os pais dos noivos pelas escolhas que só dizem respeito aos noivos.

- Ah, mas é a tradição!

(servia-se de estrogonofe)

- Porque é assim!

(abocanhava o estrogonofe)

e eu:

- Tenho pavor de toda obrigatoriedade social!





quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Pornô XVII


antes do gozo tudo me serve. a não tão loucura imaginada de esporrar sobre a minha barriga e peito e me esfregar com as mãos, então dormir todo melado. ou de foder de pé, em que você mantem um pé apoiado no chão, o outo suspenso pelo joelho dobrado sobre a cama aguardando a penetração (acoplo). ou a transa com milhões de homens e mulheres, uma suruba infinita de infinitos corpos, de infinitos fetiches desdobrados em putaria que se vende na internet. a verdade é que depois do gozo fica tudo perdido, você corre pro banho tirar a meleca da porra do corpo, o sexo em pé termina em conchinha e o hiperrealismo da suruba vai sendo adiado por mais um pouco.

Esperança

quando você me diz que vai ficar tudo bem,
que tudo se ajeita,
é como se eu recuperasse algo,
como se escancarasse portas,
cavocasse a terra
e lá,
onde nunca imaginei,
re-encontrasse a
poesia.

Sem título mas em mutação

POR ISSO

eu não preciso olhar mais para fora,
porque o fora já me tomou
através das janelas digitalizadas,
através das pontes cibernéticas
pelas quais me desloco inerte
em dedos e multitelas.

O meu limite agora é o dentro !

A minha aventura
é o dentro
da casca de concreto

onde toco clausuras vítreas  
de funduras não inteligíveis
de mim

e

misturo-me ao abissal,

escamoso ou liso,
fosforescente
como olhos de lanterna:
  
- SOU peixe MUTANTE!

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Fragmento

Vou ficar em silêncio
mesmo que o silêncio não me sirva
e eu deseje mesmo o movimento

a fala incontida,
os dedos sobre o seu corpo,
a aresta vincada com unha do origami,
o seu sorriso fácil,

a imagem entrecortada
desses pequenos prazeres

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Memória

Certo que uma palavra dita uma única vez possa,
inexoravelmente, atravessar a camada córnea
e ali permanecer
como a um berne
apodrecendo a carne.

Coisa mais nojenta!

põe-se uma manta de toucinho
sobre o ferimento vulcânico,
aguarda o berne apontar para o respiro
e então, pinça-o com a destreza de um médico cirurgião vulgar,
um curandeiro de ladainha incensada:
- Que não deixe seus ovos!

Depois com fósforo e álcool,
incinera-o.

(O fogo é elemento fundamental para purgar o mal:...)

II

mas,
sendo a palavra substância sem veículo corpóreo,
sobre ela não se põe emplasto,
não se extrai com pinça,
não se atiça o fogo

III

a palavra!
ah, o que se faz com a palavra?
aquela ouvida para se instaurar como a um mal,
como a um berne?

IV

Recomendação:
não a detenha!
Deixe que circule mas não a detenha.
Nunca a detenha!

a máquina da noite

tique-taque taque
uma nova ordem instaurada,
nada a ver com a máquina do coração,
o relógio digital.

deve ser louco
aquele que reitera
a obviedade das coisas

-o relógio, antigamente,
fazia um tique-taque, tique-taque...
vinha da sala e
ressoava pelos outros cômodos
até desaparecer, hipnoticamente, em sono.

Acordávamos sem o tique-taque:
sim,
alguma coisa surgia e se perdia com a noite!