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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

coletas especulares





entre um dia antes e um dia depois

o intervalo

.

.

.

um dia depois

                       intermitência

um dia depois

 

intermitência

                       outro dia antes

 

provisiona-se um entre exato 

na conjugação ou oposição dos astros

 

um influxo que acesso quanticamente

no entendimento que dois corpos em contra peles 

não se tocam de jeito algum

 

se acreditar for suficiente

atravesso paredes sem nunca

saber da porosidade da argamassa

que recobre o seu osso

 

mesmo assim,

sei descarnar confins

à procura de um núcleo,

que imperscrutável como a uma noz,

continuarei sem ter acesso.

 

descarnar confins para revelar o crânio,

filetar a carne do corpo

e

o intervalo, veja bem,

. (ponto)

não é um vazio!

 

É

 

um entre vão a ser penetrado.


_________________________________


Poema sem título de Rafael Geremias @fazumpacto
Série fotográfica: Coletas especulares, 2025-atual

Nas imagens: líquido residual de bife bovino temperado com sal, pimenta e cominho.

#poesia #poetry #wordart #palabras

terça-feira, 4 de maio de 2010

Aos que vivem morrendo




Aos que vivem morrendo
Ou
Aos que morrem todos os dias
Ou
Aos homens que são humanos 

(Início do poema)

Não escrevo às almas
ou para as mentes que ralham
este poema;
escrevo ao corpo,
ao corpo que se contorce na cama
por comichão, fome e frio,
que vai à luta através do sonho
e por isso dorme a maior parte do
tempo.
No sono in sonho, coabitam,
bolinam as ninfas, ninfetas
e impúberes.

(o poema foi até aqui.)

Dito este e tantos outros que
meus dedos ainda lançarão
a vós, corpos inutilizados,
inutilizáveis, ojerisados por
esta doença infectocontagiosa
que fissura seus lábios,
efemina seus músculos
e bebe da umidade de seu corpo.

Só a vós vou e também
unicamente ao vosso reino.