Diário de Bordo*

Antes dos vinte anos as coisas eram melhores:
facas cerimoniais picavam dedos de bruxas
num chamamento ao demônio.

Havia alegria:
saía sempre com os bolsos
cheios de grilos.

Mas o que provêm depois dos vinte,
dos vinte anos e um dia, é o banimento;
aos poucos tudo vai sendo jogado fora
como se o paganismo tivesse sido revogado
e a nudez na dança, proibida.

O que sobra é a mecanicidade;
o quebra-cabeça;
a engrenagem seca;
a estranheza que causa vertigem.

Inculca sim que minha história seja velha

O palco é velho
O palco é inóspito
O palco é adulto
Os adultos parecem estranhos
e as enguias quando tiradas do mar,
desligam-se dos sonhos.

4 comentários:

  1. Meu caro, take it easy... :)

    Olha que eu estou quase nos quarenta, e só há pouco tempo sinto isso...

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  2. É que as coisas andam mudando tão depressa e nos é tão estranho dizer que no nosso tempo a coisa era outra.
    Veja-me, aos 18 e essa sensação está tão viva em mim.
    Muito cedo pra sentir...e talvez muitos sentimento a flor da pele!

    Grande beijo =*

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  3. Pedro,

    Isso é sentimento de quem, apenas aos vinte, já viu que tudo é uma simples repetição e chata; penso que repetição é o começo da loucura.

    Abraço.

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  4. Luiza,

    Veja resposta dada ao Pedro.

    Beijoo!

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Rafael Geremias