Pornô

Sobre o corpo e sua corporeidade ideal: o desejo.

Pornô I

Nos encontramos na praia: eu numa direção, ele na contrária. Já o tinha avistado de longe, mas para que ele não percebesse, dava olhadelas furtivas. Inevitavelmente nossos olhos se cruzaram e nisto fomos obrigados a investir numa aproximação corpo a corpo.

- Oh, Cara, curtindo a praia de manhã?
(meus olhos no sorriso dele)

- De manhã... sol... tá bem gostoso...
(meus olhos no peitoral dele, os mamilos envoltos em pelo )

- Dando uma corridinha?
(meus olhos fingimento cabisbaixo)

- Uma caminhada... tá bem gostoso... a manhã! E você?
(com a língua, organizar os pelos entorno do mamilo)
- Uma corridinha gostosa... manter a forma.
(as minhas mãos resvalando sobre a sua barriga)

- Ah... é bom mesmo, bem gostosa a manhã!
(meu pau endurecendo dentro da sunga)

- Sim... bom te ver, Cara!
(uma impossível luta de comando para permanecer mole)

- Ah sim, bom te ver também!
(ele percebeu?!)

Pornô II

É claro que já o tinha visto, e de fato não era o rosto o que referenciava o reconhecimento, mas sim os mamilos: pontudos e rosados, sem apresentar qualquer distinção entre bico, auréola e a pele do peito, confundidos como depois de uma boa chupada. Imaginei então como fazê-lo distinto: o bico enrijecido; contornando-o, a auréola espocada em poros, delimitando o mamilo do resto. Coloquei-me a chupá-lo, alternando entre movimentos rápidos e lentos; mordidas pinçando o bico impondo-lhe uma posição, a de ficar ali, protuberante como um montículo, um pequeníssimo vulcão em pré-gozo. Consonante aos gemidos desprendidos gradativamente exaltados ao orgasmo, o outro mamilo espelhava-se num prazer simétrico, ao máximo da forma: porque em gozo, tudo se apresenta perfeitamente distinto, até que se consuma e esmoreça disforme.

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Rafael Geremias