Pornô VI



Mandei tirar os móveis da casa:
‘tava precisando de espaço pro meu nonsense.

Pornô III



“Não, essa posição pode machucar!”. Prestes a dar uma boa cavalgada no pau dele, com o cuzinho lubrificado de cuspe, ardendo de tesão, ele me fala isso: “não, essa posição pode machucar! Não viu a pesquisa que eu te enviei ontem? Notícia da Folha, de ontem” enquanto acomodava minhas nádegas em suas coxas para prestar atenção às hipocondrias dele “metade das lesões no pênis decorrem da posição cowgirl” dois homens numa suíte de motel revestida com espelhos, brinquedinhos sobre o aparador, ‘eu cowgirl?!’ “a posição missionário e a de quatro também podem lesionar o pênis” descolei a bunda dalí, não ia perder aquele cuspe todo. Me dirigi ao aparador e catei o brinquedinho “o que você tá fazendo?” abri o brinquedinho, tinha o nome de John, durinho, 23 cm; o apoiei num banquinho, e sentei no John, olhos fixados no espanto do jornalista: vagarosamente sentei gostoso exprimindo um gemido e perguntei “esse aqui também lesiona?”

Pornô

Sobre o corpo e sua corporeidade ideal: o desejo.

Pornô I

Nos encontramos na praia: eu numa direção, ele na contrária. Já o tinha avistado de longe, mas para que ele não percebesse, dava olhadelas furtivas. Inevitavelmente nossos olhos se cruzaram e nisto fomos obrigados a investir numa aproximação corpo a corpo.

- Oh, Cara, curtindo a praia de manhã?
(meus olhos no sorriso dele)

- De manhã... sol... tá bem gostoso...
(meus olhos no peitoral dele, os mamilos envoltos em pelo )

- Dando uma corridinha?
(meus olhos fingimento cabisbaixo)

- Uma caminhada... tá bem gostoso... a manhã! E você?
(com a língua, organizar os pelos entorno do mamilo)
- Uma corridinha gostosa... manter a forma.
(as minhas mãos resvalando sobre a sua barriga)

- Ah... é bom mesmo, bem gostosa a manhã!
(meu pau endurecendo dentro da sunga)

- Sim... bom te ver, Cara!
(uma impossível luta de comando para permanecer mole)

- Ah sim, bom te ver também!
(ele percebeu?!)

Pornô II

É claro que já o tinha visto, e de fato não era o rosto o que referenciava o reconhecimento, mas sim os mamilos: pontudos e rosados, sem apresentar qualquer distinção entre bico, auréola e a pele do peito, confundidos como depois de uma boa chupada. Imaginei então como fazê-lo distinto: o bico enrijecido; contornando-o, a auréola espocada em poros, delimitando o mamilo do resto. Coloquei-me a chupá-lo, alternando entre movimentos rápidos e lentos; mordidas pinçando o bico impondo-lhe uma posição, a de ficar ali, protuberante como um montículo, um pequeníssimo vulcão em pré-gozo. Consonante aos gemidos desprendidos gradativamente exaltados ao orgasmo, o outro mamilo espelhava-se num prazer simétrico, ao máximo da forma: porque em gozo, tudo se apresenta perfeitamente distinto, até que se consuma e esmoreça disforme.

Rafael Geremias