Matei o medo covarde com covardia

Um pequeno descuido e aquelas coisas poderiam ter me atingido irreparavelmente. Numa velocidade absurda, uma nuvem, destas espessas e cinzentas, trazia tempestades de vento, areia e água, e mais três meninas desesperadas trancadas no banheiro tentando se proteger da possível morte que não aconteceria. 

-Moço, moço, implorou-me por ajuda como se eu pudesse fazer algo. 

Levei água gelada, três copos e três balas de menta. 

- Calma... isso passará rápido, principalmente quando se chupa bala de menta. 

Então, matei o medo covarde com covardia. Com bala de placebo. Água com açúcar, água com açúcar, gritei num fingido desespero, num grito também placebo para que soubessem que também padecia do mesmo mal. Tomei a água açucarada... abracei-as... enquanto no horizonte surgia o sol alaranjado de Blade Runner.

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Rafael Geremias