No bar Eucalipinho

Gostava mesmo era da alegria das putas; de como não tinham problemas quando sentadas às mesas de plástico, junto aos machos, serviam-se das garrafas de cerveja suadas, rindo e cantando despudoramente. Por isso passava tanto tempo no puteiro. Puteiro de pobre, com bafo de cigarro do Paraguai, conservas de ovos cozidos e banheiro sujo. Lá era tudo alegria e tudo permitido. Até confundir travesti com mulher, mulher gorda com magrinha, homem pobre com rico, sertanejo com bolero, kuduro com Strauss, sexo com amor. 

Vi muitos dos meus colegas, trocando família por puta. Houve até uma vez, que o colega bateu com a mão na mesa do bar, com a puta do lado, pediu silêncio e oficializou noivado num dos discursos mais eloquentes da história daquele bar. Muitos deles foram felizes, outros nem tanto, mas isso, de felicidade, não cabia a mim, eu que nunca tive família muito menos comi uma puta.


Um comentário:

  1. Muito bacana! Gostei!
    Acho que "aquele" tipo de puta a que se refere esta em extinção. A puta amiga, professora, que ali estava por não ter opção ou, até por ter, mas preferir ser puta. Ser de todos e não ser de nenhum. Ser cachorro sem dono, ser dona do seu destino. O tempo em que os garotos iam aos puteiros como as meninas iam para o baile de 15 anos.Elas com o "princepe" e eles, com a com a puta experiente. O puteiro era o palco onde os rapazes se sentiam grandes homens e as putas, damas respeitadas da sociedade. Hoje esse puteiro esta desbotado... Hoje, todas são "para casar".

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Rafael Geremias