Uma visão sobre a psicanálise


Eu te amo tanto, mas tanto, tanto. Te amo com a força de um pênis ereto; de uma vagina molhada. Te amo ainda mais quando me masturbo, e como numa sessão espírita, veicula-me teu espírito etéreo no meu fazendo-me gozar nos ladrilhos do banheiro.

Eu te amo de forma imoral, de forma romanceada e restrita como amo a minha mãe. Lembra quando te chamei de “mãe” ao invés de “amor”? Acho que não percebeu, porque na realidade a palavra “amor” veio vinculada à “mãe”, escapulindo num “amorãe”. Senti-me tão envergonhado por saber da raiz do meu amor, que para suplantá-lo, coloquei sua estátua no meio da sala e devotamente passei a mão no seu pênis. O que não adiantou; eu continuei nesse amor materno improfícuo que borrava tua imagem.

Disse-me:

- eu sou tão parecido com seu pai...
só quero seu bem, filho...
quero me orgulhar do filho que tenho.

Eu:
 
- Oh pai, e sabe você que também quero te dar orgulho? Um orgulho que não desmereça a nossa hereditariedade máscula, que não destitua nossa função de fecundar, de dar vida; de manter o clã renovado, mas repetindo os problemas habituais do círculo, porque o habitual é mais fácil de suportar.

(...)

Sempre é melhor aquilo que eu posso suportar, pai. Engraçado é que quando me dirigi a ti agora, simbolicamente prostrei-me como uma criança ajoelhada ao lado da cama pedindo proteção ao anjo da guarda, pois seu amor adquirira o peso dos céus.

Eu:

- não te amo mais! (pai)
- não te amo mais! (mãe)
- não te amo mais! (você)

Um comentário:

  1. Costumo gostar muito do que encontro aqui, mas hoje, além do gosto habitual, teve um quê de surpresa. Não sei se foi pudor, superego – talvez a psicanálise possa explicar... Talvez não, porque tem coisa que, vai ver, a gente só sente.

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Rafael Geremias