A linguagem absoluta



Vou te absorvendo pelas beiradas. Pelo seu cumprimento tímido largado nos corredores. Pelo modo como as juntas do teu corpo levam-te ao movimento. Pelo gosto literário que mantém, e eu, com olhos treinados, descubro o título. Imagino quantos amores fictícios já te submeteras; em que cenário, em que fantasia te abrigava, ou qual música sublimava teu pensamento antes de te despires, despi-la ou despi-lo; beijá-la, beijá-lo, envolvendo-lhes nos teus braços. Ai, que tudo isso me põe indefeso, porque não sei da tua sexualidade: se com tuas mãos enrijece o mamilo de um seio ou de um peito. Pois sim, o limite do macho-fêmea repousa na diferença de volumes. Bem sei que de andrógino não tens nada, mas foge ao meu controle pensar com quais membros farás tangível meu amor tão intelectualizado por ti.

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Rafael Geremias