A linguagem absoluta



Até a linguagem pode falhar. E falha. E não me surpreendo mais. E foi-se o tempo de surpresa desde então. E tristemente pergunto-te. E com todos os tês (Ts). E com o indicador apontando-te o teu tu. E Inquirindo-te o próximo E. O próximo E repleto de polissíndetos que com mestria alquímica transmuta o meu desamor em amor manifesto em afeto. E tu também fazia questão de me lembrar da ferocidade da letra T; de como se deve ter cuidado ao lidar com ela: coisa de TaTo. Pelo seu inevitável anseio por moradia, faz de todos os cantos da casa sua tocaia, come da nossa comida, toma da nossa bebida, até que por fim distorce toda a nossa linguagem. E nessa inadequação de discurso, tu vai me falando coisas e eu fingido que escrevo. Até a linguagem pode falhar. E falha. E não me surpreendo mais. E foi-se o tempo de surpresa desde então. E tristemente pergunto-te. E com todos os tês (Ts). E com o indicador apontando-te o teu tu. E Inquirindo-te o próximo E. O próximo E repleto de cordas, ganchos, anzóis, que amarram, prendem, içam... o que você não fez, porque o próximo E do nosso amor repousava a espreita de um T que tristemente inter-calava-se num assíndeto.

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Rafael Geremias