A linguagem absoluta | Variação para um fim | Fim

A linguagem absoluta é dedicado a Natássia Dagostin Alano.

Neste post encerro a série de textos coletados como A linguagem absoluta, que apesar do nome, não deseja ser entendida como uma análise da linguagem almejando certa perfeição ao comunicar o poema ou a prosa; A linguagem absoluta é mais um deixar fluir, deixar sentir, deixar despretensiosamente que as imagens se relacionem por elas mesmas desconsiderando qualquer erro de construção na sua narrativa.

Aos que acompanharam desde o primeiro capítulo e resistiram até aqui, meu agradecimento singelo e nada mais. Aos que ainda não leram e chegam aqui pelo fim, desconsidere este fim, porque A linguagem absoluta acabou para mim antes do último poema, ela chegou antes de mim e a mim não se quis mais dar.

Abraços,

Rafa.

Variação para um fim
Depois que o poema me aconteceu,
transplantei quantos corações pude
até que fosse preciso transplantar o meu também.

- porque é hora de arrefecer
tudo o que em mim
era dos outros

- porque é hora de amadurecer

a ambigüidade do verso
na ementa contínua da lei

e ser menos que o sonho
e ser menos que o homem.

Fim

Na tentativa de comprimir meu coração:
ter corpo de sapo
o corpo que me queriam:
Eu desisti.

Usurpei o corpo de um elefante:
nele fiz dos meus sonhos inflados
a savana da minha fantasia.

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Rafael Geremias