A linguagem absoluta - 36


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Às vezes ponho um sorriso no rosto igual àqueles que são contentes. Fico o dia todo assim, sentado, assistindo a televisão sem entender nada, balançando a cabeça, aceitando toda essa vida que segue afora como se fosse um milagre alcançado. Nem preciso fazer mais nada, pois tudo vem a mim como vêm as coisas que sempre nos pertenceram. Já não ando mais doente como vinha estado, já nem me envergonho quando todos os meus amigos escovam seus dentes ainda boca, e eu seguro a dentadura e a esfrego com dedicação mantendo-a limpa. Se a casa está organizada, ótimo, senão nem reclamo da roupa suja jogada no chão ou da louça que fiquei com preguiça e não lavei. Deixo tudo para depois, depois que farei com amor ditoso. Porque já sou sem complexos e vivo da honestidade de espírito.

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Rafael Geremias