A linguagem absoluta - 26

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(a fita de cetim é o fetiche que amarra o nosso amor) 

Num desvario entoei teu nome com a força de um sortilégio. 
Com a força da Língua do P.. 
Com a força de um canto litúrgico no subir dos braços conclamando benção. 
Com a força do desmanchar da hóstia enquanto apascentam-se as dores nos seus devidos cercos. 

Era o momento mais aguardado em que nas trombetas dos arautos soariam teu nome, a tua chegada, a tua fita azul reverberando em sinal de poder. Os tapetes dispostos garantindo-te a imponência dos reis. E eu, sempre da mesma forma, prostrado esperava tua aparição. 

Cantaram teu nome, mas como o Maquinista, tu mandastes pajens. Para não macular tua imagem generosa, lançastes da janela mais alta o aceno com a mão direita sem fita abafando a polvorosa popular. 

(sim, a fita de cetim era o fetiche que amarrava nosso amor) 

Ao passo que teu gesto esvaecia, - desaparecer absurdamente me dói -, e a idéia de que te deitavas com tuas cortesãs, - absurdamente me doía tal traição -, batia com a testa no tapete para rechaçar teu semblante da minha mente; e com um corte heráldico, segui como um forasteiro. Abri passagens, conheci lugares, fundei meu reino, e aqui depositei minha solidão. 

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Rafael Geremias