A linguagem absoluta - 22

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Vou te absorvendo pelas beiradas. Pelo seu cumprimento tímido largado nos corredores. Pelo modo como as juntas do teu corpo levam-te ao movimento. Pelo gosto literário que mantém, e eu, com olhos treinados, descubro o título. Imagino quantos amores fictícios já te submeteras; em que cenário, em que fantasia te abrigava, ou qual música sublima teu pensamento antes de te despires, despi-la ou despi-lo; beijá-la, beijá-lo, envolvendo-lhes nos teus braços. Ai, que tudo isso me põe indefeso, porque não sei da tua sexualidade: se com tuas mãos enrijece o mamilo de um seio ou de um peito. Pois sim, o limite do macho-fêmea repousa na diferença de volumes. Bem sei que de andrógino não tens nada, mas foge ao meu controle pensar com quais membros farás tangível meu amor tão intelectualizado por ti.

Um comentário:

  1. quase uma mente afrodisíaca...
    e desde muito tempo me pergunto que sexo tem o desejo... ainda estou em pontos de pensar que o desejo não tem sexo e nem hora, mas, por conveniência burocrática, sei que a secretaria de segurança e defesa pública do estado com certeza lhe atribuiu uma identidade, e agora? as identidades têm sexo?!
    huehehehehehehehe
    abraçOo

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Rafael Geremias