A linguagem absoluta - XVII

Nem havia nascido e já me roia o cérebro o verme do romantismo. Os reis e rainhas de um país longínquo misturavam-se aos boitatás, as mulas-sem-cabeça, ao caboclo desfiando fumo do meu país. Depois me disseram que tudo era bobagem de guri. Paragem de fantasia que não me era mais pertinaz depois de crescido. Que eu tinha que parar de mentir e tomar rumo na vida. 

Mas como parar de sonhar, se foras tu quem me colocou garrado num trem anacrônico que não passa mais por aqui? O que posso fazer é embotar o pensamento com trabalho, estudo, família e (deus) pílula no coração. E com voz profética anunciar nos púlpitos do mundo que não sofro mais, quando silenciosamente fica só comigo essa saudade de ti, Maquinista, guiando teu cavalo de ferro por entre as serras para chegar até mim.

Um comentário:

Rafael Geremias