A linguagem absoluta - XIII

A feiúra me seduz.

Não é sem receio que afirmo isto.

A feiúra me seduz.
Seduzido,
conduzo-me pelos seus lábios leporinos,
arrepio-me o pêlo de tanta estranheza;
delicio-me num prazer dos demônios
como tudo o que é feito sem pudor.

O pudor só me vem depois em lembrança,
(vergonha de contrição)
por ter pecado contra Deus e toda a humanidade.
Eu, de boca perfeita como a barroca boca de Deus,
deveria rejeitar o lábio partido,
o lábio assimétrico nascedouro de caos.

Mas que faço eu se o belo não contenta o corpo
E o bom gosto
Ultraja todas as formas de amor?

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Rafael Geremias