A linguagem absoluta - XII e XIV

XII

Absolutamente que não acredito em Deus. Se por acaso falo tanto em Deus é pra evitar pensar tua ausente audição e a própria ausência em si. Não, não me tornarei crente, nem me encherei de beatices, porque isso faz mal. Mas é que se não houver alguém de imediato para me punir, depois para me perdoar, depois um céu para alcançar, o corpo cai em desgraça perceptível.

XIV

A vassoura vermelha dialoga com o rodo azul no espaço que é a cozinha. A cozinha conjuga verbo com outro cômodo, depois o apartamento, a cidade, logo o universo. É tudo tão delimitado que não sei mais para onde correr, se com a palavra tudo tem começo, meio e fim.

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Rafael Geremias