A linguagem absoluta

IV

Tenho me perguntado o que venho matando, adquirindo ou sustentando com o tempo. Se o que eu tenho quisto é puramente cultural, familiar ou individual, porque às vezes, por empatia estética eriçando os pelos do braço, aproprio-me inutilmente do que não é meu. E de quem é? Se alguém, também por empatia estética ter seus pelos eriçados, grite no meu ouvido, porque estou tão sensível que o exagero estilístico do peso da pena que cai da torre de Pisa poderá me derrubar! É só estabelecer os meus limites, e dizer que me ama e que não me absorverá na boca como água, porque não quero que tenha sede de mim; e dizer o incalculável e doido axioma de que nada perecerá, e por ser vitalício, não precisará ser feito de material verdadeiro, muito menos sacro; pode ser fetiche, oferenda de sangue simbólico e temporário num contentamento bramânico que deite fora meus complexos e me faça dançar novamente.

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Rafael Geremias