A Palavra se fez carne e habitou entre nós



1

A Palavra quando se fez carne
e construiu seu templo abstrato no deserto
falou primeiro ao poeta, o mesmo em si,
em rompante de excentricidade criou o arcano
do verbo.

2


O Poeta quando se fez palavra
e primeiro letrado emocional
tornou-se num sacrílego,
escriturou depois do teti a teti
um amor subversivo
e todos os herdeiros e suas cromossômicas letras
hoje padecem da dor do não amado.



Lábios devotos debruçados sobre a fôrma alfabética,
a Palavra de tão forte
foi ao mundo dos cegos e surdos e leprosos,
escancarou com túmulos, chegando
onde o poeta e seu prelo não ousam proximidade.
Todos, então,
daqui até a travessia da linha do tempo,
aprenderam uma linguagem equivalente
e inexpressiva destituída de sentido.

4

A Palavra quando se fez carne e habitou entre nós,
sabia que de todo não era tão imbuída de importância
e que sua estadia na Terra seria breve
sabia que as dores e alegrias poderiam ser expressas
por lágrimas e sendo assim se fez dispensável.

4 comentários:

  1. Ainda has de me dizer onde conseguists arrnjar talento para desenhar e ainda para escrever ! nao e para qqlqer um :b

    ResponderExcluir
  2. a palavra, o poeta e o pensamento, qdo juntos, nos dão e nos tiram a percepção... e a poesia vive...

    grande abs.

    ResponderExcluir
  3. JR,

    Obrigado pelos elogios.

    Paulo,

    e a poesia vive...

    ResponderExcluir
  4. Não sei xD
    Simplesmente desenhei.
    Mas até é engraçado desenhar a carvão :D

    ResponderExcluir

Rafael Geremias