Ensaio Inconsciente: a Loucura

Há um quê de loucura em falar sobre a loucura, um quê de “estou beirando, mas não vou cair”, ouvem-se então, ecos de possíveis pequenas loucuras arremessando-se de desfiladeiros.

O meu problema não é essencialmente a loucura, é mais uma base abstrata de strip teases sendo feitos para alguém sentado naquela poltrona, você vê? Ele é tão lindo, ele sorri para mim como um príncipe. Danço para ele, tiro a roupa, ou melhor, rasgo, porque quando se tem paixão, as coisas são mais intensas, feitas para um consumo fugaz e imediato que talvez perdure apenas o instante de um orgasmo, no entanto carrega em si a promessa da realização plena.

E ele esta mordendo o canto da boca e eu continuo nu. Jogo-me para cima dele com um tesão irrefreável e suspiro em seus ouvidos palavras que o excitam a ponto de eu poder sentir toda sua potência máscula pulsando. Eu, eu desfaleço em seus braços, amoleço em seu corpo e me deixo ser escravo e usado como produto promocional que ao ser avistado causa repentina necessidade de ser consumido.

Coloco Álvaro de Campos na jogada, falo do engenheiro civil bicha de Pessoa, sem intenções de intelectualizar isto, pelo contrário, torno ainda mais vulgar e repulsivo.

(Pulo)

Estamos em alto mar, Álvaro em sua compulsiva vontade, deita-se nos porões com seus inúmeros marinheiros...

(Pulo)

Certamente que me fragmento como quebra-cabeça: alguém me emenda?

(Pulo)

... e Álvaro já foi meu puto, meu homem, meu parceiro inconfesso: minha bicha enrustida.

(Pulo)

Retorno e já nem sei de que retorno falo. Pego-me lendo qualquer coisa; o dia a dia é um dissabor. Então, acumulo na estante recortes e cortes e recortes, sobreponho imagens e textos. Pulo. Retorno. Faço sexo, pois que não há realidade suportável sem doses de loucura.

(Pulo)

Eiah Ho, Ho, Ho
Ho, Ho, Ho, Ho.

(Suspiro)

Estou beirando, talvez eu já caí.

6 comentários:

  1. É tão subjetivamente sexual, criativo; e tão sexualmente subjetivo, sugestivo.
    Não sei se é loucura ou o que quer que queiram chamar, mas sei que parece não haver medo. Há convicção e força. E ainda que seja tão pessoal, é tão universal.
    É tão inteligente, tão atrativo.
    Eu pareço prolixo?

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  2. Por vezes acham-me diferente, pode-se dizer 'louca', mas talvez seja isso que mais preencha minhas taças vazias, embora muitas vezes assim me denomino pra classificar meus próprios disparates =P

    Gostei muitoooo do seu blog, li esse último post, salvei o endereço pra ler todos.

    Obrigada pela sua visita :)
    Boas vibrações sempre!!!

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  3. Sinceramente?


    Gostei mto.
    Diferente do q leio geralmente nos blogs por ai.

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  4. há sempre um pouco de loucura nop amor,como há sempre um pouco de razão nessa loucura(parece louco mesmo,a loucura ter razão,só pode ser uma loucura)
    muito obrigado pelo vinculo estabelecido,é de bom grado e até aonde a minha sensibilidade equivocada vai,ela diz que isso é recíproco.
    O orgasmo tem essa finalidade de ser fugaz,pois a sua essência efêmera é o que mantém a sua multiplicidade inexorável.todo prazer, é prazer porq é efêmero,se contrário se tornaria um tédio,um cotidiando,umas coisa humana ,corrida pelo eterno retorno,essa mesmice que existe no mundo.

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  5. muito, muito boa a foto!
    realmenete, o dia a dia é um dissabor :)

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  6. Ergáustulo inconsciente

    São algumas as paredes que me cercam aqui. Deduso, após submeger em alta análise que isto se trata de um heptágono irregular sem saída.Minha inteligência é limitada ao ponto de tornar incompreensível o fato deu ter vindo parar aqui!Na ponta dos pés, perco equilíbrio sem ao menos tocar o ápice dessas frias paredes;
    Chego a imaginar que quem calculou laboriosamente essa contrução não ocorreu que eu estaria aqui, pois ao contrário, me possibilitaria uma saída instantânea. Não enchergo mais ninguém, e o cheiro desesperador é o que me há de mais prazeroso.
    Há um muro fortemente construído para que ninguém mais esteja aqui e como é certa a minha morte, apenas após decomposição da carne seria possível outro; Mas que apenas me substituiria, pois agora, estou eu aqui e minha alma vagante, não tem saída, assombrará eternamente esse silecioso e comprimido ar.
    Não vejo necessidade de me esquivar daqueles olhares de suplica que passam apressados pelos becos; pois não os vejo mais.Aqui só há ausencia de medo. Nem percevejos, nem libélulas.
    Não há fortes ventos, pois os muros tratam de cessa-los; Nem o medo da prazerosa solidão me corroe nos instantes de nostalgia... Pois por aqui,me sinto em plena e absoluta liberdade de exprimir meu pensamento sobre todas as coisas. Regularmente me assusto e saio do sono profundo; fico escutando o silêncio que aqui reina inalterado, dia e noite.
    Não estranho diminuir o tamanho ao passar do tempo e nem penso se é o muro que tem aumentado os tijolos... que importancia me faria se as paredes crescescem? Mais proteção me daria, e mais paz reinaria entre um conchilo e o sono inconscientes.

    Sem calcular estratégias para saída, ouvi um dia uma luz, rastejei-me disconcertantente tentanto ler novos pensamentos que refletiam em mim. Hipoteses, apenas. A ausência de cores, deteu meus olhos ao nada imobilizados atrás da minha limitada conciencia;

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Rafael Geremias